terça-feira, 14 de setembro de 2010

A espera daquele abraço

Ela o observava de longe. Podia vê-lo sorrindo e conversando com todos. Ah, essa alegria e esse jeito de se comunicar que ela gostava tanto, admirava tanto. Sentia-se feliz em observá-lo. Já havia feito isso tantas vezes, incontáveis vezes. Era bom saber que ele estava recuperado de toda mágoa. “Talvez seja o momento de falar com ele”, pensou ela.

Ficou por mais alguns instantes observando aquele sorriso. Trazia paz, boas recordações, nostalgia. Aproximou-se, escondendo-se para que ele não a visse. Pode ouvir sua voz. Era tão mansa e tão firme. Aquele equilíbrio perfeito que sempre quisera também adquirir. Remetia a lembranças doces, sonhos, estímulos, declarações públicas de amor e de apoio. A fez lembrar do otimismo e persistência que sempre foram tão fortes nele.

O semblante dela ficou firme... Lembrou-se das palavras duras que ouviu daquela voz, que tinha deixado de lado sua maciez e ficou somente com a parte firme. Que mostrava a decepção com tudo o que havia acontecido. Lembrou-se do silencio que se fez...

Decidiu seguir. Focou seu olhar naquele homem que ela amava tanto. Não pensou em mais nada que não fosse a saudade que sentia daquele abraço. E no quanto sonhava em tê-lo novamente.

E fez-se o silêncio. Ao vê-la ele calou-se. Fez não a ver, desviou o olhar. Ela pode perceber no fundo de seus olhos uma dor somente uma vez vista antes, ou talvez maior. Aquele brilho estimulante não estava presente. Para onde teria ido?

Ela ergueu a mão delicadamente eu sua direção e moveu lentamente o rosto, para falar com ele. Ele ergueu a mão rapidamente, fazendo um sinal para que ela parasse - e ela nem mesmo tinha começado. Em seguida colocou o dedo em frente a boca em pedido de silêncio.

Ela tentou mais uma vez. Afinal ela estava ali, tão perto, faltava tão pouco. Ele a olhou fixamente nos olhos, pela primeira vez depois de tanto tempo... Ela encontra outro homem naquele olhar. Ela insistiu em tentar falar e mais uma vez ele a impediu. Em seu olhar havia desprezo, uma certa tristeza, decepção.

Ela baixou a cabeça, virou-se e seguiu não acreditando que esteve tão perto e ao mesmo tempo tão longe. Não acreditava que suas atitudes pudessem ter sido tão fortes a ponto de destruir o laço de amor que os unia, a ponto de romper toda a relação, a ponto de transformar aquele homem.

Virou-se para olhá-lo, mais uma vez, talvez pela última vez. Uma lágrima correu pelo seu rosto e ela se foi.

3 opiniões:

°maguii° disse...

ain....

faço ideia de como tenha sido tão difícil,
pra menina do texto.


:/


SAUDADES Princesa!

Éden disse...

Vida doidinha, todo mundo erra, todo mundo magoa, todo mundo sofre.
Mas um dia todo mundo aprende, todo mundo entende e todo mundo perdoa! (ow pelo menos era pra ser assim).

LINDA! bju grande pra vc!

Tati Maffi disse...

Não sem dor existe um amor... Mas também com dor o amor falece. Sofrer pelas diferenças que o ser amado nos impõe é tão comum com os homens que se não fosse a dor, talvez o homem não daria valor ao amor...
Lidi Lindinhaa,
texto, lindo, forte e sincero...
parabéns