sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Emagrecimento nunca é como desejamos

A ditadura da beleza impera. A proximidade do verão deixa isso em maior evidencia. Inúmeras são as “operações verão” que surgem por aí. E o que se lê são mulheres (e meninas) iniciando as mais variadas dietas: do verde, da sopa, das cores, das calorias. E tem as que prometem a perda de 10 quilos em uma semana baseada no “zíper na boca”.
E tenho pensado a respeito. Não para questionar quem deseja ter um corpo mais bonito, até porque, eu não vejo problema nisso. Nem mesmo para criticar quem suporta tudo pela busca do peso ideal. Tenho pensado que, na verdade, as dietas não “emagrecem” aquilo que desejamos.
É isso mesmo. Você está 5 quilos acima do seu peso ideal. Você não é uma pessoa que ao passar na rua será apontada como “baleia”. No entanto, você deseja reduzir esses cinco quilos e acabar com aquela gordurinha indesejada. Afinal, ele até incomoda quando você deseja usar vestido tubinho ou uma blusa mais curta, ou um tecido com transparência (ambos super em alta).
Não falo aqui de pessoas que fazem loucuras, me refiro a aquelas que cortam a gordura, os açúcares, o refrigerante. Que optam por lanches mais saudáveis, como frutas e bolachas integrais, no lugar dos pasteis e croissants da padaria da esquina. E que, para ajudar na tarefa, começam a acordar uma hora mais cedo para fazerem 45 minutos de caminhada. Aparentemente, nada de loucura, uma mulher com pés no chão e sensata que busca uma melhor aceitação e ficar de melhor humor com ela mesma.
Todas as semanas ela vai se pesar. Na primeira, nenhuma mudança. Na segunda, ela percebe suas pernas mais resistentes e tem menos dor após a caminhada. Já se foi meio quilo! Uma alegria dupla: condicionamento físico e redução no peso. Em mais dois meses ela se sente muito mais disposta para caminhar e fazer atividades físicas. Ela atingiu seu objetivo. Os cinco quilos foram embora. Não foi passe de mágica. Não foi um sacrifício.
No entanto, ela olha praquela calça jeans que ficava justíssima e que realçava suas pernas. Ela te fazia sentir-se “poderosa”. Agora sobra tecido na parte da coxa, em especial, mais próximo do joelho. E na cintura, onde você tem aquela gordurinha que detesta. É, essa mesma que a maior parte das mulheres tem. Sabe o que aconteceu com aquela gordurinha? Nada! Ela continua ali, bem faceira. Ou pode ser aquela mínima barriguinha, aquela pequena bolinha que forma próxima ao umbigo. Ela também está ali.
E as suas pernas, ah, as coxas que, afinal, não te incomodavam, essas sim emagreceram. E agora a sua calça está sobrando e você continua sem puder usar aquele vestido tubinho (até porque as suas coxas nem estão mais tão bonitas quanto antes), nem a blusinha mais curta, nem a transparência. No fim, o emagrecimento não trouxe aquilo que você queria efetivamente. O peso se foi, mas as medidas que mais te incomodavam, essas continuam ali. Estão bem felizes e sem querer sair.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Gostava tanto de você...

“E eu! Gostava tanto de você Gostava tanto de você... Não sei porque você se foi Quantas saudades eu senti E de tristezas vou viver”
São palavras de Tim Maia. E não são românticas. São duras, tristes, profundas. Remetem a uma dor inimaginável: perder um filho. Acredito que quem não passou por isso, não consegue equiparar qualquer dor a essa.
Musica com a qual é impossível não se emocionar, independente de quem ela faça lembrar. Ela sempre me lembrou um anjo, mesmo antes de eu saber a real inspiração de sua letra.
Se vão quase 16 anos de uma saudade incalculável e de um sentimento que não diminui. Um buraco no peito e as lembranças mais doces de uma infância feliz.
E talvez o fato de eu não poder dizer “E aquele adeus não pude dar...” é o que ajuda a acalmar o coração quando ele dói muito.
Um narizinho colado ao meu, tão idêntico, e do riso mais suave e doce com o qual tive contato. Uma mão macia que encontra teu rosto e justifica as duas existências. Um encontro de olhares que faz o mundo parar e com que aquele momento seja o mais importante.
Um sonho, uma realidade, um caminho, uma separação.


sexta-feira, 8 de julho de 2011

As botas e as panturrilhas gordinhas


O inverno é a estação onde as pessoas estão mais fashion. Casacos compridos, com detalhes em metais, lenços e mantas de vários estilos e formas de usar, chapéus e gorros de cores e modelos diversos e as maravilhosas botas. Em especial as de cano mais alto, próximos ao joelho, ou mesmo acima dele.

E você se depara com a necessidade de adquirir esse novo e indispensável calçado para encarar – com pés quentes e com muita sofisticação. A necessidade pode ser emocional, afetiva, fútil ou você pode realmente estar precisando de uma bota.

Você vai a uma loja e já de cara percebe que aqueles produtos, possivelmente, não vão servir em você. A insistência faz parte da sua personalidade.

- Por favor, essas três no tamanho 36.

Você as prova e adivinhem? Elas simplesmente não fecham na sua panturrilha.

Segue então o caminho até mais uma loja, o mesmo acontece. Em todos os sentidos. E em uma terceira loja a cena se repete. A volta pra casa é um pouco frustrante. Você só queria uma bota nova, para o dia a dia, para proteger seus pés da chuva e do frio, para poder ir caminhando ao trabalho, para poder usar também para ir a faculdade ou a um passeio em domingo. E você volta pra casa sem a bota, de mau humor e sentindo-se mal por não ter uma panturrilha no tamanho adequado ao do mercado calçadista.

Já é sabido que o mundo da moda, de forma geral, evidencia a magreza. Isso se vê nos desfiles, nas campanhas publicitárias, nas peças que chegam às lojas. E as botas são assim. Esses dia vi uma amiga que tem um corpo com proporções semelhantes ao meu com uma bota que sobrava bastante em sua “canela”. Pedi a ela se por gentileza eu poderia provar e ela aceitou. É obvio que a bota nova dela não fechou na minha panturrilha.

Isso não é um desabafo de uma pessoa fora de forma querendo vestir-se como uma magricela. É de uma pessoa, de origem germânica que brinca der uma “alemoa de panturrilha batatuda”, nada mais que isso. Pessoas que tem panturrilha, não varas, não podem usar botas?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Daquilo que o progresso não muda

Recentemente voltei a trabalhar na cidade onde moro, Igrejinha. Por seis anos passei minha vida profissional em outras cidades, logo, vendo pouco o que acontecia aqui. É claro que as grandes construções, as grandes ações políticas, eu sempre acompanhava. No entanto, os detalhes acabavam por passar despercebidos.
A rua da minha casa, por exemplo. Ela não é longa, tendo pouco mais de 500m. E eu moro no seu final (ou inicio, como preferir) Nela vivo desde antes de saber andar. Logo, foi por esse caminho que dei meus primeiros passos. Não lembro dessa parte, mas me recordo bem de quando ia com a minha mãe para o centro e seguíamos por toda a sua extensão. Quando eu era bem pequena, a rua ainda era uma estrada de chão e haviam poucas casas no local, até porque a rua era relativamente nova. Lembro quando foi feito o calçamento, não sei quantos anos eu tinha, mas os tombos e algumas cicatrizes não me deixarão esquecer que algumas coisas mudaram no local.
Para ir ao meu novo emprego, sigo caminhando por essa mesma rua, hoje com quase todos os terrenos ocupados por casas e até mesmo estabelecimentos comerciais. E a rua tem os mesmos paralelepípedos tortos que tinha na minha infância.
No entanto, o que mais me chama a atenção, é um fato que acontece quase todas as manhãs, quando desço. Os cachorros latem compulsivamente e descompassadamente, enlouquecidos, como se a minha presença ali, na rua, fosse uma ameaça a eles. Os cachorros saem de seus pátios acoando, chamando os da casa vizinha. Em instantes se forma um grupo junto a mim. E eles seguem latindo, me acompanhando enquanto passo por algumas cinco casas.
O que é mais intrigante (e emocionante também) é que quando eu era criança e passava por ali, acompanhando minha mãe, haviam cachorros que saiam de seus pátios, latiam muito e nos seguiam por alguns passos até atravessarmos algumas casas. Possivelmente nem todos os cachorros sejam os mesmo, talvez, nenhum deles seja. No entanto, é impossível não lembrar e sorrir sozinha frente a cena.
Hoje eu não tenho mais medo deles, eles não são tão grandes quanto os da minha lembrança. Hoje não tenho a minha mãe para “querer subir-lhe pelas pernas” para que os cachorros não me mordessem - eles nunca atacaram, apenas vinham em nossa direção e latiam. Muito no cenário mudou, no entanto, o progresso não conseguiu reduzir a quantidade de cachorros e seus hábitos. Imagino eu que deve existir uma menina que sente medo deles e que se protege junto a mamãe. Espero eu que daqui alguns anos ela possa lembrar disso com saudade. Espero não perder esse dom de me emocionar quase todas as manhas frente a essa situação.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Pobre de você...

Que acordou atrasado, vestiu-se apressadamente, quase caiu da escada, esqueceu de trancar o portão de casa, tropeçou na rua, quase foi atropelado por um caminhão, virou o pé enquanto corria pra conseguir pegar o trem, ficou esmagado apertado indignado em pé no corredor por uma hora...

Que chegou ao trabalho e colocou suas coisas na mesa, encontrou uma pilha de papéis e um bilhete furioso, buscou um café e o derramou na roupa, que mandou o e-mail para o cliente errado, que falou mal do chefe para ele mesmo porque errou a janela do MSN, colocou um “zero” a menos no final do número do orçamento, foi a uma reunião e chegou depois que o seu horário de almoço já havia acabado...

Que pediu um cachorro quente que chegou gelado acompanhado por uma coca cola quente, que começou a ter dor de cabeça, de barriga, nas costas, que na hora de voltar pra casa descobriu que está sem vales e que gastou o seu dinheiro no almoço e não sobrou o suficiente para comprar a passagem, e então terá que voltar pra casa caminhando por 12 quilômetros.

Que enquanto voltava pra casa recebeu um presente de São Pedro e estava sem guarda chuvas e que cruzou nas esquinas enlameadas por motoristas não muito educados que não se importaram com a sua presença.

Que chegou em casa e encontrou o lixo espalhado na grama porque o seu cachorro fez questão de destruir a sacola onde ele estava para que você colocasse na lixeira na manhã seguinte, dia da coleta seletiva.

Que descobriu que está sem luz e que não há previsão para ela voltar e por isso o banho terá que ser gelado, e que lembrou que correria você esqueceu de comprar pão quentinho e terá que se contentar em jantar bolacha de água e sal...

Que quando se deitar para dormir vai lembrar tudo isso e pensar no quão infeliz você é? Pobre de você, se fizer isso...

segunda-feira, 7 de março de 2011

pouco se aproveita...

Se as pessoas soubessem o quanto aproveitar o tempo livre para fazer coisas diferentes elas certamente o fariam.

E não adianta vir com aquela desculpa clássica de que "eu não tenho tempo livre". É claro que você tem. Todos nós temos. Alguns mais, outros menos, isso é claro.

Talvez se as pessoas deixassem de passar tanto tempo jogadas no sofá vendo aqueles programinhas mais ou menos que assistem todos os dias; ou se acordassem uma hora mais cedo, já que isso as vezes acontece, mas elas viram pro lado porque podem dormir mais; ou se elas não fossem direto pra casa após o trabalho.

Passear no parque, caminhar no calçadão, tomar chimarrão e comer pipoca na varanda, brincar com o cachorro, visitar alguém querido, ler um novo livro, conhecer alguém novo, praticar um novo esporte, ir ao cinema, comprar uma roupa nova, ir a uma festa diferente, comer algo inusitado, visitar um lugar exótico, reencontrar um amigo de infância, sair com um novo amigo, passear por lugares visitados no passado, ouvir uma rádio diferente, mudar o itinerário diário, escolher um novo lugar pra ser seu porto seguro e momento de reflexão, escolher um novo colo pra chorar...

As pessoas poderiam reclamar menos e agir mais. Poderiam falar menos e agir mais.

Poderiam viver mais divertida e perigosamente... Poderiam ser mais felizes...

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O drama de não ser dinda

Você já passou dos 20 anos, estuda, trabalha, é uma pessoa responsável, tem boa índole, projetos de futuro. E você ama crianças! É claro que vai surgindo a vontade master de ter um afilhado. Vai dizer que não é lindo quando aquele pequeno ser te chama “dinda”, “dindo”?

Chega um momento em que você percebe que a maior parte das pessoas a sua volta já tem afilhados. Um, dois, seis! E eles tem a sua idade, alguns, até menos.

Em algum tempo, você começa a ficar frustrado.

- Por que todos tem afilhados menos eu?

Então começa a se comparar com as outras pessoas, começa a achar que é um irresponsável. É isso! Só pode ser isso. As pessoas olham pra você e não conseguem imaginar que possa ajudar a cuidar de uma criança se ela precisar.

Logo você, que tem tanto amor pra dar. Aquela vontade louca de passar um sábado a tarde com a criança, levar na pracinha e tomar um sorvete. Fazer guerrinha de pipoca, chorar de tanto rir com as casquinhas. Você que gosta tanto de assistir desenho, contar historinha, desenhar, ler, ensinar coisas novas...

Ei! Acho que você tem qualidades demais e isso assusta os papais e mamães... Eles ficam com medo de que os pequenos prefiram vocês... Só pode ser isso!